23
set

O que foi de fato a Inquisição?

   Posted by: André Luiz   in Apologética Católica

Estes dois vídeos nos ajudam a entender o que foi e como funcionou de fato o Tribunal da Santa Inquisição, motivo de acusações e inúmeras calúnias a Igreja Católica.

 

Professor Felipe Aquino fala sobre seu livro “Para entender a inquisição”.

Tags: , , ,

Sem dúvida Bauman é o Sociólogo que mais admiro. No auge de seus 86 anos, viu as maiores transformações, avanços e atrocidades da humanidade.

Neste depoimento gravado de sua casa na cidade de Leeds, Inglaterra, no dia 23 de julho de 2011, pela equipe da CPFL e do Fronteiras, fala sobre suas  expectativas para o século XXI, internet, a necessidade de construção de políticas globais, a construção de uma nova definição de democracia, entre outros temas. Imperdível!

 Entrevista exclusiva: Zygmunt Bauman from cpfl cultura on Vimeo.

Tags:

O debate que vai encenado abaixo jamais ocorreu face a face, mas se desenvolveu nas páginas do jornal Clarion, de Robert Blatchford, um comunista ateu muito influente em Londres no tempo de Chesterton. Chesterton escreveu quatro artigos, dos quais dois estão traduzidos neste blog (http://angueth.blogspot.com/2010/05/milagres-e-moderna-civilizacao.html e http://angueth.blogspot.com/2006/06/porque-acredito-no-cristianismo1.html), em resposta aos argumento de Blatchford.

A essência dos argumentos de ambos os lados aparece na ótima encenação legendada abaixo. Divirtam-se!

“Para responder a um cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio” (Gilbert Keith Chesterton – Ortodoxia)

Tags: , , , ,

25
jul

Amor, Mídia e Consumo

   Posted by: André Luiz   in Filosofia Clínica, Filosofia da Comunicação

Nos tempos atuais, onde o hedonismo, imediatismo e a fragilidade são marcas tão fortes e presentes em todos os âmbitos da nossa vida, vemos surgir uma nova forma de relacionar-se, propiciada, principalmente, pelas novas mídias e pelo advento das redes sociais. Onde a relação entre “eu” e o “outro” dar-se-á de forma banalizada e superficial, sendo muito fácil “excluir” o contato com o outro diante da menor incompatibilidade.

Haja visto essa fragilidade e precariedade em que se estabelecem as relações; a condição de massificação e obliteração da subjetividade, o indivíduo busca no outro – enquanto objeto de consumo – uma forma de suprir sua própria fragilidade e fugir do horror da solidão, Como tão bem Zigmund Bauman narra em seu livro, “Amor Líquido”.

As relações interpessoais atuais encontram-se construídas sobre dois pilares. O primeiro é um tipo de antropofagia emocional, onde consumindo o outro, buscamos preencher nosso vazio existencial. E o segundo, que se baseia em uma relação de inquietude e necessidade do novo, que leva-nos a construir laços frouxos e situacionais, que não nos prendem diante de novas e, aparentemente, melhores opções.

Por ser uma realidade nova e vivente, há poucos estudos e análises a respeito deste tema. Tal visão insólita dos lações emotivos, talvez seja mais visível para os terapeutas, que em seus consultórios podem observar essa fragilidade e volatilidade através do depoimento de seus pacientes.

Tal realidade líquida defendida aqui, e fundamentada principalmente nos estudos realizados por Bauman, traz a cena outro elemento cine qua non para propiciar e manter esta realidade, a Mídia. Não nos cabe aqui avaliar o que teria ocasionado o outro, se a Modernidade é “Liquida”, por assim dizer, em decorrência da atual realidade midiática ou o inverso. O que fica-nos obvio é a interdependência destes dois fatores.

Uma pesquisa da Heriot-Watt University, liderada pelos psicólogos Bjarne Holmes e Kimberly demonstrou que Assistir a comédias românticas ou ler revistas femininas e masculinas pode prejudicar a vida amorosa e afetiva. Uma vez que criam a ilusão de uma predestinação, de uma identificação instantânea e arrebatadora.

Para Holmes, as conclusões podem ter implicações profundas em nossas vidas.

“Terapeutas de casais veem com frequência casais que acreditam que os homens e as mulheres querem coisas bem diferentes de suas relações, que o sexo deve ser perfeito sempre, e que se uma pessoa foi ‘feita para você’, então ela vai saber o que você quer, sem que você precise comunicá-lo.”

“Agora temos algumas evidências que sugerem que a mídia popular tem um papel em perpetuar essas ideias na mente das pessoas.”, acrescenta Holmes.

Tal realidade faz com que busquemos construir relações com base no prazer objetivo, instantâneo e momentâneo. Façamos do outro um objeto de consumo, e através das redes sociais, as mais novas vitrines cibernéticas, venhamos a nos expor esperando que agrademos o outro, e este venha a nos “comprar”, realizando assim a efêmera e arrebatadora satisfação volitiva. Que talvez se personifique em termos exatos, no que hoje chamam de “química”. Que a priori seria uma identificação física, instantânea e delirante, absolutamente indispensável para estabelecer qualquer tipo – e nível – de relacionamento amoroso, estando além de uma empatia e ou atração.

Portanto, a noção de amor e relacionamento perfeito da atualidade, seguem a toada de distopias midiáticas, da ideia de alma gêmea e predestinação, onde em algum momento fatalmente você conhecerá a pessoa certa e ficará com ela.

Não se vê mais os laços amorosos como uma constância, como renúncia e comprometimento que deve ser construído sobre alicerceis sólidos e duráveis, ao contraponto da fragilidade e imediatismo, imperativos de nossos tempos. Talvez a prova mais contundente, que corrobore a nossa argumentação seja que há um grande aumento do número de casamentos (relações estáveis) ao paço que o número de divórcios tem extrapolado qualquer perspectiva, principalmente nos cinco primeiros anos de união. Mostrando que as pessoas não estão equipadas com as devidas ferramentas para relacionar-se com tolerância, zelo e abnegação. Não caminham de forma adequada na formulação do discurso que abranja o “nosso”, em detrimento do “meu” e o “seu”. Como também não fazem a devida análise antes de casarem.

Nossa sociedade é marcada pelo egoísmo e busca da autonomia, onde ter de abrir mão de algo por outrem é por demais penosos, e, portanto, as relações dão-se de forma superficial e efêmera, construídas sobre uma incapacidade de reconhecer e valorizar o essencial, dando demais importância ao prazer e realização imediata em apropriar-se do outro.

Fica-nos evidenciado que tal realidade dá solfa aos discursos fatalistas de uma sociedade cada vez mais inapta a relacionar-se, tendendo às patologias e extremismos. Que caminha a passos largos para o isolamento e supressão de sua felicidade em troca de prazeres momentâneos propiciados pelo consumo constante de outros entes, apoiados e instigados através de uma mídia manipuladora e massificadora.

“Amar não é uma opção de momento, mas uma opção de cada momento. Não é um ato sentimental, é uma decisão” (Prof. Felipe Aquino)

 

Notas:

“Comédias românticas prejudicam vida afetiva, diz estudo” disponível na íntegra em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/12/081216_romcomamor_ba.shtml

Por André Luiz T. Calcagno

(É permitida a reprodução parcial ou total deste material desde que citada a fonte e o autor)

Tags: , , , , , ,

Temperança:


Nada é bastante para quem considera pouco o suficiente. (Confúcio)

Em tempos de Modernidade Liquida[1], esta é uma das virtudes mais necessárias, já que tem como função guiar as paixões através da razão. Ela não trata de desfrutar menos, mas de desfrutar melhor das nossas inclinações volitivas.

Esta virtude permite o gosto dominado, um prazer medido, um deleite adequado. Fazendo de nós senhores de nossos desejos e não escravos.

Segundo Aristóteles[2], ela se localiza entre dois abismos, o da intemperança e o da insensibilidade. Abismos estes que são facilmente observáveis em nossos hábitos e ações. Na renúncia radical e no exagero, nos extremismos que nada mais são do que uma expressão máxima de nossas inseguranças e recalques mais profundos.

Já o Filósofo Helenista Epícuro, não nos falará de temperança, mas de independência. De certa forma, ambas estão relacionadas. É através da temperança que exercemos nossas escolhas, nossa liberdade ao dominar nós mesmos, já que somos seres tão insatisfeitos e desejosos.

Para Sponville[3], tanto a prudência como a temperança, pertencem a arte de desfrutar, da ação do desejo sobre si mesmo.

A Doutrina Moral Católica considera a temperança como uma virtude cardial, junto com a prudência, a justiça e a fortaleza. Já que regulam os nossos atos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé[4].

E define a temperança como: “a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e “não se deixa levar a seguir as paixões do coração”[5].

Principalmente no antigo Testamento encontramos algumas passagens a respeito, como em Eclo 18,30 “Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos”.

Já Para São Tomás de Aquino, ela seria apenas inferior à justiça, que regula nossas relações com os outros homens e que visa o bem comum, particularmente o da união.

Nos tempos atuais, vemos a intemperança manifestar-se de todas as forças. Seja pela gula ou a anorexia, o total desleixo a obsessão, do estresse a apatia. Tendemos a recusar o dever e direito pessoal de sermos senhores de nós mesmos. Como certa vez disse Bonafé disse: “estamos habituados ao conforto e não ao confronto”.

Vivemos em uma sociedade negligente, que prefere abdicar de si, acostumando-se com a autodepreciarão e ao julgamento feroz. Facilmente observável a nossa forma, em moldes de estereótipos bem delineados, porem de difícil percepção quando tratamos de nós mesmos.

Fica-nos, portanto evidenciada a importância desta virtude, que é capaz de intensificar o prazer, e fazendo às vezes deste, quando ausente. De uma virtude que opta pelo qualitativo ao invés do quantitativo. Uma virtude humilde, corriqueira, útil em todos os tempos, e não apenas em tempos adversos, como a coragem.  Absolutamente indispensável para desfrutarmos de forma mais plena e duradoura a felicidade.

 

[1] – Termo cunhado por Zygmund Bauman para descrever a atual sociedade, onde o transitório e a instabilidade são imperativos.

[2] – Ética a Nicômaco II 7,1107.

[3] – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, pág. 48.

[4] – Catecismo da Igreja Católica 1804

[5] –  Catecismo da Igreja Católica 1808

Por André Luiz T. Calcagno

(É permitida a reprodução parcial ou total deste material desde que citada a fonte e o autor)

Tags: , , ,

5
jun

Da Leitura de Livros para a Leitura do Mundo

   Posted by: André Luiz   in Popurri Filosófico

“Ao abrir um livro, vislumbro um horizonte, onde a vista vai muito além do ponto.” ( Elan klever )

Drummond, via na leitura, uma inesgotável fonte de prazer, apesar de já em sua época notar que muitos não partilhavam de seu olhar. Me parece que o prazer e o enfadonho sempre foram adjetivos para a leitura, não importando o tempo. Talvez, porque esperamos que o gosto pela leitura seja um dom, uma espécie de inatismo intelectualista, ao invés de um hábito, que se cultivado desde a tenra infância, torna-se mais fácil e prazeroso quando exercitado.

Muitos alegam, para o bem de suas próprias consciências, que não foram incutidos no mundo literário quando jovens, por isso não desenvolveram o gosto pela leitura. Ora, não fomos estimulados a muitos gostos na infância, e nem por isso deixamos de desenvolvê-los.

Mas voltemos ao prazer pela leitura, o grande ensaísta argentino, Jorge Luis Borges, acreditava que o paraíso é uma espécie de livraria. Complementando tal pensamento, diria eu que, talvez, seja a melhor das livrarias, porque poderemos ter contato com seus autores, e conhecer a fundo o que queriam dizer de fato.

É verdade que, até com certa frequência, é possível saber o que o escritor queria dizer, seja por sua clareza, seja pela uníssono dos doutos a respeito. Neste segundo caso, a certeza deve ser menor, onde há muita concordância, pouco se pensa de fato.

E ademais, Fico pensando, se Borges e meu adendo estiverem corretos, ao morrer, e espero eu, adentrar no paraíso; num dos infinitos momentos que teria por lá, eu encontrasse com Drummond, e começássemos a conversar…(Devo admitir que nestas reticências perco-me diante deste indelével prazer) Dentre tanto que poderíamos falar, contar-lhe-ia sobre as especulações acerca de um de seus poemas mais famosos: “No meio do caminho”. Conspiram as teorias que na realidade, o poeta poderia referir-se a problemas que enfrentava na época, ou para alguns, mais comprometidos com o humor do que a história, dizem que seria uma “pedra nos rins”.

E ao ouvir tais palavras, imagino eu, Drummond cairia em uma risada incontida e diria-me: “-Ah rapaz, mas que besteira. Era apenas uma pedra onde eu topara o pé, e que na hora doera bastante!” Ah, que bom seria! Caminhar pelos Jardins do paraíso e encontrar estes vultos da literatura. Ainda imagino-me andando e vendo ao longe Monteiro Lobato contando histórias para Crianças, Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho em um fervoroso debate a cerca da humanidade, pedindo o parecer de minerva de São Miguel Arcanjo. E tudo isso ao som de Vinícios de Morais ou Villa Lobos.

A Literatura nos permite imergir em um mundo infinito de possibilidades e elucubrações magníficas, atingir o transcendente e registrá-lo em palavras, tocar o infinito através das vozes imortais que ecoam nas páginas dos livros.

O escritor americano, Henry Thoreau, disse que: “Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro”. E não poderia deixar de concordar com tal proposição. Ainda em minha juventude, posso elencar alguns poucos livros que marcaram-me, mudando ou reforçando minhas concepções filosóficas, teológicas e morais.

Portanto, é um sábio conselho, saber escolher com perícia os livros que devemos ler, haja visto a imensidão de literatura disponível e nosso curto tempo para desfrutá-la. Poucos homens poderão acumular centenas de livros lidos, até porque, muitas vezes o tempo e a urgência das obrigações não nos permitirão tal deleite. A estes, que puderam e poderão desfrutar deste gozo intelectual constante, poderíamos chamar de eruditos, que para Rubem Alves, seriam obesos de espírito, por acumularem grande conhecimento, sem, muitas vezes, digeri-lo por completo.

Aliás, como é curiosa esta analogia entre gastronomia e a leitura. Os antigos diziam que a leitura é o alimento para a mente, assim como a comida é para o corpo. E realmente estavam certos. Se a falta da leitura não causa uma atrofia mental completa, mina e dissipa nosso esforço e capacidade crítica.

Em nossa colapsada e frágil sociedade moderna, onde o conceito de isonomia foi substituído pela massificação, a leitura se não é desencorajada, é absolutamente desestimulada… Parece que o escritor do romance distópico ficcional Fahrenheit 451, Ray Bradbury, fazendo uma crítica a sociedade de sua época, também escrevera sobre o futuro, prevendo ainda na década de 50 o que viveríamos nos dias de hoje.

Está certo que não há, como no livro, bombeiros que ao invés de apagarem o fogo de casas, são peritos em descobrir esconderijos de livros e ao encontrá-los, queimar todos ( Por isso o nome Fahrenheit 451, que seria a temperatura em que o livro incendeia) já que sua leitura era proibida pelo governo. Afinal, como Bradbury narra, os livros faziam as pessoas refletirem, e isso trazia apenas infelicidade a elas. Já a televisão, era um modelo perfeito de entretenimento, substituindo perfeitamente a leitura, trazendo-nos felicidade.

Para muitos, de fato, isso ocorreu. A instantaneidade da televisão, e ausência de reflexão para compreender o que é exposto, substituiu a leitura, sendo atualmente o maior formador cultural e manipulador das massas.

Talvez, um dia, essa sociedade saia deste hipnotismo narcotizante que promove a ignorância, e escolham melhores governantes, que priorizem de fato a educação, principalmente nos seus níveis mais elementares. Valorizem a literatura, as artes, os educadores; sendo estes humanizadores e veículos para o enriquecimento cultural. Promovam uma educação que não trate os alunos como depósitos de conteúdo, dotados unicamente da efêmera capacidade de passar em vestibulares. Mas que coloque o conteúdo à disposição do aluno, e que ele possa desenvolver suas aptidões e talentos. Uma educação básica que promova o gosto da leitura, o lúdico e transformador amor pelas palavras.

Neste momento, poderemos orgulhos dizer que, o ideal de Monteiro Lobato se concretizou. De fato seremos um País feito de homens e de livros.

Por André Luiz T. Calcagno

(É permitida a reprodução parcial ou total deste material desde que citada a fonte e o autor)

Tags: , , ,

28
mai

Trexo do Livro Ortodoxia – G. K. Chesterton

   Posted by: André Luiz   in Doutrina Católica

De certo, esta é uma das obras mais intrigantes e provocativas de Chesterton, leitura obrigatória a todo Cristão que interessa-se em adentrar, através da Filosofia, a indelével mística Cristã, que fez-se diferente não por pregar a contingência, a moralidade, a concepção de um Deus uno e trino, mas por fundar o Cristianismo… Esta dura verdade, tão útil e necessária. Tão atual e profunda, que move milhares, pelo caminho estreito, chamado Jesus.

“Uma eloqüente apologia do cristianismo contra as filosofias e doutrinas do início do século XX.”
O Globo

Aqui deixo um breve deleite, proporcionado por seu eloquente discurso e pela bela produção visual deste vídeo. A tradução do mesmo foi feita pelo web site Chesterton Brasil.

Tags: , , , , ,

15
mai

A Ágora Pós-Moderna

   Posted by: André Luiz   in Filosofia da Comunicação

(Pintura de Péricles, expoente da democracia Grega, na Ágora Ateniense, com a Acrópole ao fundo)

A Palavra “Ágora”, originou-se do verbo agorien que significava deliberar, tomar decisões. Na Grécia antiga, era um espaço físico, no centro da polis, onde os cidadãos encontravam-se periodicamente para deliberar e tomar decisões sobre a cidade. Era o simbolo da democracia ateniense, onde o povo governava, sem representantes ou governantes.

Haja visto que, como Aristóteles mesmo dizia, se os cidadãos escolhessem representantes políticos, não seria um estado democrático. Para ele, através de um processo eleitoral seriam escolhidos os mais capazes, os mais virtuosos, e portanto seria uma aristocracia e não uma democracia. Já a Ágora permitia um governo pelos iguais, com participação direta na vida política, sem intermediários.

Ao contrário do que muitos pensam, neste espaço não ocorriam apenas discussões políticas e filosóficas, mas, com uma regularidade maior, eram feitas transações comercias, desfiles, festivais, composição do quadro de atletas para as Olimpíadas, dentre outros eventos e atividades.

Mas, como o caráter político é o que nos importa neste artigo, nos deteremos a ele. Para que fossem tomadas decisões quanto ao governo, às leis e impostos, fazia-se necessário o sorteio de uma mediador, para presidir as discussões e definir a “ordem do dia”, uma referência para que se pudesse tratar dw assuntos pertinentes, naquele momento, à cidade.

Na sociedade moderna, de certo, não haveria um único lugar capaz de reunir a todos para tal exercício. Como também, o conceito atual da democracia é bastante diferente do grego.

Então a participação da esmagadora maioria na vida pública, dar-se-á através dos meios de comunicação. Donald Shaw e Marxwell McCombs, na década de 70, formularam uma teoria da comunicação onde, seriam os assuntos agendados pelos meios de comunicação, equivalentes aos assuntos discutidos pelos cidadãos. Tal teoria recebeu o nome de Agenda Setting, e de certa forma, apresenta-se como a nova Ágora.

A grosso modo, ela defende que às agendas midiáticas definiriam às agendas civis, que por sua vez definiriam às agendas públicas. Ou seja, toda programação vinculada; seja informativos, filmes, novelas e programas de forma geral, definiriam o que a sociedade viria a discutir. Isso graças as meios de comunicação, em especial a televisão, que é o veículo que atinge o maior grupo de pessoas causando o maior impacto.

Essa influência midiática é tão marcante em nós, que chega a passar despercebida pela grande maioria. Porem, há um ponto em que Shaw e McCombs, parece-nos estar errado. Para eles, os conteúdos vinculados pelas mídias fariam sucesso, devido a sua relevância social. O público exerceria assim o Gatekeeping, que seria o controle do conteúdo a ser vinculado ou não pela mídia.

Devido ao controle Midiático em voga, o Gatekeeping, não é definido pelo interesse público, mas por linhas editorias ditadas por determinados grupos, detentores dessas mídias.

Portanto, a relevância social encontra-se eclipsada por fatores políticos e econômicos de determinados grupos que, possuem interesses diretos na massificação da cultura, transformando cidadãos em consumidores, que adquirem determinados produtos e se portam de determinada forma, seguindo modismos oportunos e lucrativos, dando corpo assim ao que Max Horkheimer e Theodor Adorno deram o nome de “Industria Cultural”.

Talvez, estas sejam marcas de novos tempos, onde o banal e superficial impõe-se dentro de uma sociedade de espetáculos, imediatista e superficial. A Ágora, portanto, deixou de ser o espaço de todos, para ser o espaço de poucos, mais preocupada em entreter e ocupar o pensamento das massas do que em seu bem-estar e capacidade reflexiva.

Por André Luiz T. Calcagno

(É permitida a reprodução parcial ou total deste material desde que citada a fonte e o autor)


Tags: , , , , , , ,

15
mai

Religião Hoje – Theater Of The World Inc.

   Posted by: André Luiz   in Apologética Católica

 

Este vídeo mostra o quão atual é o pensamento de Chesterton, que dedicou boa parte de suas obras para combater os pensamentos retratados através dos esteriótipos de pensadores nele apresentados.

Alguns deles, como Chesterton mesmo disse, chegam ao ponto de duvidar da possibilidade de uma abstração filosófica, alguns querem partir de princípios que ignoram, outros usando de um feminismo raivoso, querendo aplicar a mesma diferenciação de gênero sexual a Deus, como se o Deus Cristão fosse como os deuses gregos, imagens egoístas e torpes de nós próprios.

Enfim, deixo que você tire suas próprias conclusões.

(Legendado por Chesterton Brasil )

Tags: , , , , ,

16
abr

Uma Retórica sobre o Ser e o Ter

   Posted by: André Luiz   in Filosofia Clínica

 

A civilização é uma ilimitada multiplicação de necessidades desnecessárias.(M. Twain)

Continuando a série de artigos referentes ao Mal-Estar e suas causas, neste vamos falar um pouco mais sobre suas raízes, para que possamos entendê-lo melhor e combatê-lo de forma mais eficaz.

A raiz do mal-estar está nos falsos padrões de avaliação que somos levados a nos apoiar. Onde nossos parâmetros para a felicidade estão na obtenção de sucesso, poder e riqueza. Fatores estes, que não garantem a felicidade, como podemos ver em vários casos por aí. Porem, saber não basta, precisamos entender. Então vamos lá.

Seja consciente ou inconscientemente apoiamo-nos em padrões de avaliação para a construção de nosso Ego. Se tomamos como máximas o sucesso, poder e a riqueza; esta entidade psíquica, autônoma e unitária (Ego), que forma nosso mais verdadeiro “Eu”, passa a afirmar-se e ganhar aprovação pelo ter e não pelo ser. Como se nós fôssemos unidades capazes de serem quantificadas através de símbolos materiais. Passamos assim a julgar e ser julgados pela aparência ao invés da essência, pela obtenção de prazer ou invés de felicidade e pelo efêmero ao invés do duradouro. Resultado de uma sociedade do aqui e agora que perdeu o tempo necessário para uma reflexão sobre a condição humana a qual todos pertencemos e padecemos.

Por mais implacável que seja a sociedade e irresistível esses aspectos, não podemo-nos considerar apenas como produtos do meio, somos agentes e reagentes capazes de escolher segundo nossa subjetividade e liberdade individual. Se por vezes não nos cabe a ação, sempre nos caberá a reação.

“A ação é uma grande restauradora e construtora da confiança. A inatividade não só é o resultado, mas a causa do medo. Talvez a ação que você tome tenha êxito; talvez uma ação diferente ou ajustes terão de ser feitos. Mas qualquer ação é melhor que nenhuma.”
( Norman Vincent Peale )

Quando nos debruçamos no transitório e no que está alheio a nós, abdicamo-nos da reflexão do Eu coletivo e do Eu individual, colocamos nossa identidade em uma corda bamba, fazendo com que o ego rompa com o limite entre ele e o objeto, incrustando em nós valores que não nos são próprios, e nem mesmo necessários para sermos felizes.

A obtenção de felicidade está muito mais relacionada ao fato de não precisar, do que tudo obter; na abnegação do que da posse. Não falo do comodismo melancólico da aceitação e conformismo, mas a reflexão sensata de que nenhum objeto poderá lhe trazer a felicidade, que não se deve projetar a responsabilidade e depositar toda suposta felicidade em algo alheio a nós mesmos.

Felicidade esta, que nada mais é do que uma resposta emotiva e subjetiva atribuída a alguma coisa, condicionada e reforçada dia a dia. Quando falamos de relacionamento amoroso, do auge do amor, naturalmente esta fronteira entre Ego e Objeto Amado parece desaparecer, podendo mais facilmente criar vínculos que não são saudáveis, como do apego e da posse. (Estas questões, quanto a relações afetivas, abordaremos em outro artigo).

Quando nossa estratégia em dissociar o objeto de nós falha, acabamos por gerar duas realidades diferentes, mas que produzem o mesmo efeito, o mal-estar. Seja na esfera do não ser, da projeção de expectativas que não foram atendidas ou na esfera da dualidade do ser, onde entramos em conflito com nós mesmos, colocando em cheque nossa condição existencial. Daí nasce às perguntas infrutíferas e egoístas: – Mas por que isso foi acontecer logo comigo? Por que tem de ser assim? Por que você fez isso logo comigo? Perguntas estas que não levam a lugar nenhum.

Na maioria das vezes, para dar fim ao mal-estar, grandes e belas respostas não nos ajudam verdadeiramente (Daí parte a ineficácia dos livros de autoajuda), na realidade o que precisamos é fazer as perguntas certas. Substituir os muitos “Por quês” por “para que”.

Durante a vida passamos por vários momentos onde estas crises ou oportunidades, como preferir chamar, dão a chance de reavaliar nós mesmos, em todos os nossos papeis sociais, amadurecendo concepções e reafirmando nossa identidade.

Nestes momentos de questionamentos profundos precisamos avaliarmo-nos quanto ao que somos e não quanto ao que temos. Como também devemos nos avaliar quanto a tudo que passamos para atingir determinado objetivo, todo o percurso que percorremos e não apenas o resultado de nossas empreitadas. Reconhecer o nosso mérito justo, por mais que não seja exatamente o que gostaríamos. Se é possível indicar um norte, um caminho para escolhas universais, ele se encontra em fazer os questionamentos certos, e não ter as respostas que gostaríamos de ouvir.

Somos seres mutáveis, e esta característica é muito positiva, desde que estejamos sobre alicerceis firmes. Desta forma sempre seremos capaz de lapidar, retocar, tirar os excessos e polir dia a dia o melhor e o pior de nós. Missão esta que, se você está vivo, é sinal que não a completou e nem se livrou dela. Se quer ser feliz, assuma a responsabilidade por suas escolhas, e aprenda que mais vale as perguntas certas, do que respostas agradáveis.

Uma vida não questionada não merece ser vivida.” (Platão)

Por André Luiz T. Calcagno

(É permitida a reprodução parcial ou total deste material desde que citada a fonte e o autor)

Tags: , , ,